Sobre mim

A história do meu rolê

Olá! Meu nome é Camilla Martins, mas já tive váaarios apelidos nessa vida e atualmente sou conhecida como Cami, ou a Punk do DevOps. hehe. Me considero DevOps Engineer e faço Forense Computacional. Estudo bastante sobre DevOps e suas áreas, segurança e afins 🙂 Mas também já fui programadora back e frontend, e digamos que ainda tenho esses conhecimentos até hoje utilizados, hehe

Tenho 23. Sério.

Nasci em São Paulo e vivi a vida toda na Zona Leste praticamente, dos 6 aos 18 anos. Em São Mateus, mas ali era praticamente Juta já. Salve a Juta, Sapopemba, Jd Walkíria. Bairros que foram meu berço durante toda minha formação.

Comecei no mundo da TI na verdade com uns 8/9 anos, quando eu era Doller. Inclusive devem ter dolls perdidas que eu fiz no dolls.com.br até hoje. O mundo dos dolls me fez ter meu primeiro contato com criação de sites: na época, os Groups de MSN. Criei o Perfect Dolls. Era um dos mais conhecidos porque eu tinha umas ideias boas hahahaha fazia umas novelas com pixelart, enfim, umas besteiras que davam certo.

Com o fim do Perfect Dolls, eu entrei pro mundo dos blogs. Mantinha meu blog de dolls enquanto tinha o meu pessoal. Era bem a época dos layouts bevelados: a gente tinha urls zip.net mas o iframe era no blogger porque funcionava melhor pra escrever. Muito doido hahahahah e foi aí que comecei a mexer com Photoshop e edição. Nessa época (entre 2006 a 2008 talvez?) eu sofria muuuuito muito bullying. Muito mesmo. Uma vibe tanto cyber quanto na vida real.

Então falar da minha vida ou me sentir especial no meu cantinho era um refúgio em meio a minha vida que se desmoronava na minha frente. Tempos difíceis.

Um belo dia fiz uma amizade que carrego até hoje: minha melhor amiga, a Danielle. Ela disse que estava saindo do zip.net e migrando pra uma coisa mais maneira. Chamava WordPress. Foi aí que o negócio começou a ficar massa. Migrei meu blog também e comprei um domínio, além de convencer meus pais sobre a hospedagem. E de lá surgiram meus primeiros layouts e já minhas noções iniciais de PHP, além do que eu já sabia de CSS e HTML.

Com uns 15 eu já fazia meus primeiros freelas (o primeiro hehe na verdade). Fiquei muito feliz. Foi 100 reais mas foi o primeiro dinheiro que ganhei de algo meu. Depois comecei a pegar trabalhos um pouco maiores. 500 reais, enfim… pode hoje não ser o que eu devia ter cobrado, mas na época era o que eu cobrei pra começar e já fiquei bem feliz mesmo.

Na real eu sempre tive esse espírito de grana própria hehehe Eu era bem novinha e já vendia brincos que eu mesma fazia com umas bijouterias encostadas da minha mãe. Eu sempre dava um jeito. hahah

Com 18 (abril de 2015) fugi de São Paulo pra morar em Porto Alegre por motivos de casório. Hehe. Conheci um rapaz no interior de São Paulo mas ele morava em Porto Alegre, apesar de ser da fronteira gaúcha (São Borja). Lá vamos nós. Esse foi um dos períodos mais difíceis da minha vida.

Eu não conseguia emprego na área. Ninguém levava a sério meu portfólio (e eu já tinha uns dois trabalhos legais e estava fazendo mais um trabalho grande que inclusive até hoje está no ar, CINCO anos depois hehehe). Meus clientes sempre foram fiéis comigo porque eu realmente ralava demais pra fazer uma coisa legal. Tenho até hoje uma cliente que seis anos depois continua me indicando freelas 🙂 Enfim, o maior segredo da clientela é o boca boca, né?

Acontece que mesmo com um port maneiro, eu não conseguia emprego. Meu companheiro não conseguia trabalho pela faculdade nem estágio. No fim, eu topei o telemarketing. Foram 2 meses extremamente tensos e eu tive um burnout (na época eu nem sabia o que era isso) na minha PA. Um dia cheguei pra trabalhar e eu comecei a chorar muito. Não conseguia parar. Eu simplesmente não conseguia mais fazer ligações. Fui parar na UPA, peguei um atestado e fiquei em casa. Isso deve ter sido junho de 2015.

Em julho não aguentei e pedi demissão. De qualquer forma eu precisava me sustentar… fugitiva, sem muito apoio, o que dava pra fazer? Fugi com 1500 reais e a grana tava no final. Meu pai mandava dinheiro que era um socorro financeiro começo do mês mas eu precisava rachar as contas. Foi aí que após entrar na faculdade em agosto, comecei a procurar estágio. E em agosto comecei a dar aulas de alemão.

Sou extremamente grata aos meus pais e a família do meu ex, que me acolheu pra cacete. Nunca conheci uma família como a deles. Real. O troço era louco. Muito acolhimento. Até hoje, três anos após o término, mantenho contato constante com minha ex-sogra.

Ganhava beeem pouco mesmo. E eu só ganhava mais porque economizava o da passagem andando 6km ida e volta. Mas foi a primeira coisa que eu tava ganhando grana que eu tava gostando de fazer.

Um mês e pouco depois comecei meu estágio em TI. Com um mês fui efetivada. Foi um período de ensinamentos, mas também percebi que a vida não é um mar de rosas. Eu nem vou entrar muito nesse trampo. Sinceramente.

Um ano e pouco depois, pedi as contas pra ganhar menos em outro lugar e voltar a ser estagiária, mas ia ser pelo menos desenvolvedora e lidar com minhas primeiras dailys 🙂

Esse trampo era maneiro. Mas fui demitida. Talvez porque eu era punk demais pra cultura. hehe Muito piercing em meio a muitos ternos.

Esse período foi horroroso. A recolocação profissional demorou um mês e meio e eu sou uma pessoa extremamente ansiosa e naquela época não tinha ainda auxílio de nenhum profissional especializado. Todas as minhas terapias eu desistia ou parava. Estava surtando de ansiedade, lidando da pior forma possível com meus fracassos em entrevistas. Um show de horrores. Eu o tempo todo pensava que ia ter que voltar pra São Paulo e terminar meu casamento. Como sempre, nós com transtorno de ansiedade, sempre desastrosos.

Finalmente vieram os trampos legais de verdade e a recolocação, com uma grana que já dava pra fazer algo maneiro: em agosto de 2017, entrei numa cloudhosting.

E aí foi massa: fullstackzão, comecei a lidar com scrum, devops e outras coisas. A cultura era foda também. Foi bem legal. Comecei a lidar com comunidades também e de lá surgiram minhas primeiras lideranças, meus estudos em DevOps e minha proposta pra uma multinacional 😀

Ainda falando dessa cloudhosting, era muito doido: eu passei nessa época outro período f*oda da minha vida, por culpa da minha inocência: emprestei grana pra uma pessoa que eu não devia, mas porque confiava demais nela. Fiz empréstimos em meu nome, achando que ela ia pagar. Isso foi fim de 2017. A dívida deve ter batido pelo menos 15k, cheguei a ter o nome no SPC e se eu ganhava um tanto líquido às vezes mais de 50% ia pra bancos e eu dependia da pessoa me pagar pra pagar minhas contas. Na época eu já tava morando sozinha e meu casamento tinha acabado… Eu vivia uma loucuragem. A empresa que eu trampava era em outra cidade (Gravataí, +- 40km de Porto Alegre), então eu às vezes levantava antes das 6h. Pegava busão ainda escuro pra chegar lá 7, 7h30. Ficava trampando lá até 18h (eu adorava ficar lá, era maneiro demais). Depois continuava trampando nos meus freelas até às 22h, quando o prédio fechava. Eu chegava em casa 23h30. Pra completar renda e também pra tirar um extra da própria cagada que eu fiz…

Continuava fazendo freelas inclusive em finais de semana. Eu ia pra casa de um ex-amigo que morava em um bairro abastado de Porto Alegre. Ele enchia meu saco sobre teorias políticas e eu só queria codar hahaaha Mas enfim, foi uma pessoa que me acolheu bastante na época. Nos afastamos por motivos ideológicos a escolha dele. Os outros dois que trampavam lá eram bem firmeza também.

Um pouco antes de trocar de trampo (na real eu tinha acabado de entrar em outro), uma outra merda: eu sempre tive mania de me apegar muito no amor. Me apaixonei por uma pessoa de Gravataí que eu nem devia, mas era de um corre parecido com o meu: punk, TI, banda e blah blah blah. Deu tudo muito, muito errado. Comecei a procurar apê na época pra morar sozinha (eu ainda morava com meu ex porque não tinha grana pra sair de lá). Após visitar um apê horrível, todo quebrado e zoado, quando cheguei na porta do meu pico pra trabalhar, peguei o cara que eu gostava abraçado com a ex HAHAHAHAHAH Olha, punk azarada nessa fita não dá não. O cara terminou comigo por Whats, e isso zoou mais ainda minha mente que já tava lascada. Lembro de mim sozinha na parada de Gravataí esperando o Ponte Poa e eu tava tão f*** que uma amiga teve que me pedir um Uber. A gente faz cada merda quando ainda não entende nosso valor…

Foram meses pra digerir aquilo. E pra entender que eu era bem maior do que aconteceu.

E que, nem sempre, uma pessoa que parece MUITO com você, vai ser seu par ideal. 🙂

Chega de tristeza né mano! Cheguei na multinacional e fiz uma imersão de 40 dias na Índia. Foi um período lindíssimo. Sou muito grata a essa multi por momentos maravilhosos e muito aprendizado.

Mas eu continuava com a dívida nas costas. É muito louco dizer isso, mas é que tem gente pra provar: já passei fome mesmo estando numa multi. Eu levava congelado pra comer porque não tinha grana pra bancar às vezes um rango. Inclusive tava eu e uma amiga falando disso esses dias… te amo Ingrid <3

Eu ficava tão alucinada com meu vale refeição quando caía que eu torrava em uma semana. Não conseguia ter equilíbrio emocional pra lidar com gastos porque a dívida estava simplesmente me matando. Tiveram dias que eu tive que pedir pra pessoas de convívio meu me mandar pizza. Meus pais também estavam numa bucha financeira, então eu de longe nunca fui uma patty hhaahhaa então a parada era foda. Acho que um dos maiores conselhos que eu dou hoje é: não confie nem na sua sombra. TUDO que faço hoje é desconfiando das pessoas e pensando se não vai me ferrar. Eu só confio nos meus pais.

Sou muito grata em dizer que, com a experiência massa em uma multi e as coisas da comunidade indo bem, fui abraçada por essa galera (e me rendeu até uma viagem pra Bélgica kkkk). Mas eu tava cheia de Porto Alegre já. Tive pelo menos umas três desilusões amorosas, uma das braaaabas (que na verdade foi em Gravataí, mas conta também hehe como viram), então eu tava cansada. E numa viagem a trabalho, me apaixonei de novo.

Mas era muita paixão. Muita. Um corre surreal. Eu não sentia isso em anos. A última vez foi em Gravataí. Mas dessa vez era mais louco ainda. Uma fita de querer se mudar mesmo. De novo. Pra outro estado. Tinha COGITADO me mudar pra cidade vizinha da minha quando me apaixonei em Gravataí. Mas dessa vez eu tinha CERTEZA, morando em Porto Alegre, que eu tinha que ir pro Rio.

Lembro que eu liguei pra minha mãe assim que cheguei na estação Rodoviária e falei: mãe, vou morar no Rio.

E quando eu boto algo na cabeça, mermão…

Eu não sabia nem se o cara queria me VER de novo. Mas foda-se. Pelo menos o Rio tem praia.

Mala e cuia. Vim pro Rio de Janeiro três meses depois. E isso que fiz uns corres firmes pra vir pro Rio: morei um tempo de favor no pé do morro, arrumei evento pra vir palestrar só pra ver o cara.

Eu nem tinha certeza se a pessoa ia namorar comigo, mas no fim ela namorou e até esse texto namora. hahahaha Só que dessa vez sem fuga: vim como DevOps Engineer de uma startup, morando num pico já (um hostel que me deu muuuuuita dor de cabeça) e depois me mudei pra um studio.

Quitei finalmente no meio de 2019 a dívida imensa que eu tinha. E no fim de 2019 um empréstimo pra alugar o meu studio. Posso dizer que FINALMENTE tenho equilíbrio financeiro e emocional pra lidar com meus gastos a ponto de dar dicas pras pessoas (bizarro) e auxiliar minha família. O que não quer dizer que eu não surte às vezes, mas quer dizer que eu consigo lidar melhor com meus surtos. Hehehehe

Só que como vida de punk não é zoeira, fim do ano de 2019 tive um novo período meio merda. Todos meus ratos começaram a morrer. Um atrás do outro. E em meio a tantos problemas, uma ligação: era uma empresa GIGANTESCA (a tal emissora hahahaha) me ligando pra um processo seletivo.

No começo fiquei meio assim, eu tava desesperada pelo meu rato. Mas forças maiores me disseram pra seguir com aquele corre. Segui. E hoje trabalho em uma das maiores empresas de comunicação do mundo, com um salário que eu acho que tô super merecendo e com um planejamento financeiro da hora pros próximos meses e anos.

É doido porque já passei tanta merda. Tanta merda. Fome, assédio, já me tiraram pra mentirosa, pra louca, já tentaram me diminuir, me enganar, me ludibriar… mas quando você não é mentiroso e segue na sua fé e dedicação, vai dar tudo certo 🙂

As dicas que eu dou? Galera, aguentem firme, tem sempre alguém pra ajudar e tem sempre uma luz que vai raiar.

Bom dia pra vocês <3

You Might Also Like

5 Comments

  • Reply
    Yassui
    Agosto 6, 2020 at 12:24 am

    Mulher, tô admirada em ler sua história. Eu precisava ler isso! Caramba.

  • Reply
    Beatriz
    Março 22, 2021 at 4:24 pm

    Camila, eu lia seu blog (sugar dance) lá pra meados de 2011 2012 e lembro que voce era uma inspiração pro meu blog da época. É muito bom te reencontrar! Fico muito feliz pelas coisas terem melhorado pra você! Que continuem boas!

    • Reply
      punkdodevops
      Abril 14, 2021 at 12:46 pm

      AAAAAA muito bom ler isso!!!!! Obrigada demais. <3 O Sugar Dance e o Bloguinho da Cah sempre estarão no coraçãozinho

  • Reply
    Thiago Zucareli
    Maio 27, 2021 at 11:56 am

    Que f*da! Parabéns pela evolução e espero que cresça ainda mais! (Sangue no zoio você tem! kkk) Já te seguia no twitter mas cheguei aqui através da Community Room da Docker Con, então mano, ta dando certo! 😀

  • Responder a Yassui Cancel Reply